A busca pelo racional é uma guerra que o homem tem travado através da história consigo mesmo, visto que a presença do irracional tem se manifestado no cotidiano dos seres humanos desde o início das eras (conhecidas). Ao pensamento irracional elaborado mais metodicamente dá-se o nome de mito e o mito tem se revelado desde o momento que o homem começou a tentar explicar a origem do mundo, das coisas e as estruturas das sociedades às quais pertencia, baseado no senso comum (o chamado achismo). A origem dos mitos perde-se no tempo e os inevitáveis questionamentos feitos pelo homem fizeram por assim surgir todo um folclore que por conseqüência revelava o sagrado para essas sociedades, arquitetando as crenças que dirigiam os pensamentos e atitudes desses homens.
Muitos classificam os mitos em duas espécies, as primeiras são o produto do inconsciente coletivo, na qual constituem padrões, modelos, e as segundas provêem do trabalho criador do artista, ou seja, dos escritores (e roteiristas).
Ora, na atualidade a idéia de mito também se faz presente, embora nos tempos atuais, a idéia ou o herói sofre o processo de mistificação quase igual àquela do passado. A grande diferença está no emprego de instrumentos propulsores mais velozes e abrangentes, como os veículos de comunicação em massa, como a propaganda e a publicidade eletrônica, e a manipulação de grupos dominantes como, por exemplo, as empresas multinacionais, sem querer depreciar a sua força.
Podemos comparar lideranças de nossa época a heróis, sejam lideranças mundiais no comando de grandes potências ou até mesmo lideranças regionais como nosso prefeito e vereadores. Fazendo uma análise das expectativas de lideranças de nossa época, constatamos que o dito herói leva consigo nossas qualidades e defeitos, mas imerso nas esperanças de que o mesmo seja um arquétipo para nossas sociedades. O fato é que muitas dessas lideranças não atendem às expectativas do povo causando grande decepção para muitos. Mas a grande problemática é que com a velocidade na qual as informações circulam em nosso tempo, um mito pode ser desmistificado injustamente por críticas sem fundamento algum pela mídia.
A questão é entender que os mitos são parte de nossa natureza, são o adesivo que nos une, sendo tão antigos quanto a humanidade e tão atuais quanto as notícias do cotidiano nos telejornais. Cabe hoje em dia fazer um balanço racional desse irracional não sendo injusto nem precipitado, já que aquele que buscar beleza fácil e imediata, cedo ficará decepcionado e isso vale para não sermos afoitos em julgarmos nossas lideranças sejam regionais ou internacionais.
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O mundo em que vivemos é cercado de fenômenos. Fenômenos não passam de fatos e considerar fatos significa sopesar a força da eventualidade, ou seja, o episódio em si condicionado ou não pela vontade humana e suscetível de causar efeito tem sim força o suficiente para alterar o curso das coisas. Ora, deve considerar-se que certos fenômenos ocorrem de forma lenta e imperceptível, procedendo do argumento de que são regidos por leis que assim o determinam, da mesma maneira como outros fatos ocorrem de forma brusca e instantânea. Os fenômenos ou fatos classificam-se em fatos naturais, que são aqueles que ocorrem independentemente da intervenção do homem, assim como podem também apresentar a natureza de fatos voluntários que são aqueles que promanam da vontade e interferência humanas, esses últimos traduzem-se em acontecimentos, ação ou atos. Enfim tudo no presente espaço-tempo é fenômeno, é um fato que pode ser objeto de análise, algo para se ter ciência e ser descoberto superficialmente ou por completo. Percorramos então agora o caminho em busca do conhecimento de uma coisa qualquer, ou melhor, vamos chamar essa coisa qualquer de ente qualquer, assim a investigação desse ente deve fazer-se através do ponto de vista na qual se quer observá-lo, um estudo científico nos conduziria através de um método o conhecimento acerca de tal ente. A primeira coisa que sentimos ao ter contato com o ente é um fenômeno que nos salta aos olhos, é o fenômeno da sensação e da percepção acerca do mesmo. A sensação dividida em três fases é a princípio é a excitação externa do objeto exterior, depois partindo para a fase fisiológica onde um ou mais dos cinco sentidos enviam informações ao cérebro acerca daquilo que nos estimulou, e por último para termos noção acerca do que nos excita temos que ter algo desse ente dentro de nós, pelo qual o conheceremos, já que o conhecimento é operação própria do conhecedor. Como o ente não pode entrar em nós, algo o substitui, esse algo é o seu sinal que se chama espécie impressa que fica imprimida em nós. A espécie não é aquilo que é visto, mas sim aquilo pelo qual se vê, dessa forma a espécie impressa é sinal revelador da coisa, mas não sinal instrumental. Além das imagens e das idéias, nenhuma outra coisa no mundo faz o papel de sinal formal, todos os outros entes são sinal instrumental. A espécie impressa das sensações é chamada de espécie impressa sensível, já que há outra, a da inteligência, e esta é a espécie impressa intelectual. No dia a dia a sensação traz ao ser humano um conjunto de fatos, dos quais não é possível distingui-la perfeitamente, tal conjunto da sensação e dos concomitantes é a percepção. Passar dessa operação é fundamental quando se trata de analisar fenômenos ou fatos em busca da verdade, a impressão e seus efeitos são insuficientes para trazer o verdadeiro conhecimento do objeto que no caso é o fenômeno. Ou seja, não se deve ignorar a parte submersa de um iceberg, vendo apenas uma ponta daquilo que imensamente existe por debaixo da superfície do mar. As aparências enganam e as impressões são as operações psicológicas mais superficiais que nós seres humanos podemos ter. Isso serve metaforicamente para dizer que certos fenômenos acontecem sem que saibamos exatamente o que nos escondem, sua origem, e se seus resultados terão simples efeitos ou efeitos de vulto, e que devemos ultrapassar a barreira da simples percepção e avançar, estudar, especular além da barreira da dúvida e do senso comum.
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