O mundo em que vivemos é cercado de fenômenos. Fenômenos não passam de fatos e considerar fatos significa sopesar a força da eventualidade, ou seja, o episódio em si condicionado ou não pela vontade humana e suscetível de causar efeito tem sim força o suficiente para alterar o curso das coisas. Ora, deve considerar-se que certos fenômenos ocorrem de forma lenta e imperceptível, procedendo do argumento de que são regidos por leis que assim o determinam, da mesma maneira como outros fatos ocorrem de forma brusca e instantânea. Os fenômenos ou fatos classificam-se em fatos naturais, que são aqueles que ocorrem independentemente da intervenção do homem, assim como podem também apresentar a natureza de fatos voluntários que são aqueles que promanam da vontade e interferência humanas, esses últimos traduzem-se em acontecimentos, ação ou atos. Enfim tudo no presente espaço-tempo é fenômeno, é um fato que pode ser objeto de análise, algo para se ter ciência e ser descoberto superficialmente ou por completo. Percorramos então agora o caminho em busca do conhecimento de uma coisa qualquer, ou melhor, vamos chamar essa coisa qualquer de ente qualquer, assim a investigação desse ente deve fazer-se através do ponto de vista na qual se quer observá-lo, um estudo científico nos conduziria através de um método o conhecimento acerca de tal ente. A primeira coisa que sentimos ao ter contato com o ente é um fenômeno que nos salta aos olhos, é o fenômeno da sensação e da percepção acerca do mesmo. A sensação dividida em três fases é a princípio é a excitação externa do objeto exterior, depois partindo para a fase fisiológica onde um ou mais dos cinco sentidos enviam informações ao cérebro acerca daquilo que nos estimulou, e por último para termos noção acerca do que nos excita temos que ter algo desse ente dentro de nós, pelo qual o conheceremos, já que o conhecimento é operação própria do conhecedor. Como o ente não pode entrar em nós, algo o substitui, esse algo é o seu sinal que se chama espécie impressa que fica imprimida em nós. A espécie não é aquilo que é visto, mas sim aquilo pelo qual se vê, dessa forma a espécie impressa é sinal revelador da coisa, mas não sinal instrumental. Além das imagens e das idéias, nenhuma outra coisa no mundo faz o papel de sinal formal, todos os outros entes são sinal instrumental. A espécie impressa das sensações é chamada de espécie impressa sensível, já que há outra, a da inteligência, e esta é a espécie impressa intelectual. No dia a dia a sensação traz ao ser humano um conjunto de fatos, dos quais não é possível distingui-la perfeitamente, tal conjunto da sensação e dos concomitantes é a percepção. Passar dessa operação é fundamental quando se trata de analisar fenômenos ou fatos em busca da verdade, a impressão e seus efeitos são insuficientes para trazer o verdadeiro conhecimento do objeto que no caso é o fenômeno. Ou seja, não se deve ignorar a parte submersa de um iceberg, vendo apenas uma ponta daquilo que imensamente existe por debaixo da superfície do mar. As aparências enganam e as impressões são as operações psicológicas mais superficiais que nós seres humanos podemos ter. Isso serve metaforicamente para dizer que certos fenômenos acontecem sem que saibamos exatamente o que nos escondem, sua origem, e se seus resultados terão simples efeitos ou efeitos de vulto, e que devemos ultrapassar a barreira da simples percepção e avançar, estudar, especular além da barreira da dúvida e do senso comum.